MCI
A Conversa como Unidade de Valor

Marketing 7.0 de Philip Kotler: o guia completo em português

O quinto livro da série X.0 chegou em abril de 2026 e ainda não tem edição em português. Li o livro inteiro e organizei aqui o que ele realmente propõe — os modelos, os frameworks, o que funciona e o que ficou faltando.

Marcus Barboza
Criador da metodologia MCI · Founder e CRO da Hablla
Publicado em 02 de agosto de 2026Atualizado em 02 de agosto de 202616 min de leitura
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Capa editorial do artigo sobre o livro Marketing 7.0 de Philip Kotler, com o livro em capa dura sobre mesa de madeira escura.
Marketing 7.0 de Philip Kotler: o guia completo em portuguêscategoria A Conversa como Unidade de Valor, blog de Marcus Barboza sobre Marketing Conversacional Integrado.

Se você procurou "Marketing 7.0" nos últimos meses, provavelmente encontrou meia dúzia de textos que dizem a mesma coisa: que o marketing evoluiu do 1.0 ao 7.0 e que agora o foco é a mente do consumidor. Não está errado. Mas também não ajuda muito.

O problema é estrutural. O livro foi lançado nos Estados Unidos em abril de 2026 e até agora não saiu em português. Boa parte do que circula por aqui foi escrita a partir do release da editora, não do livro. E dá pra perceber: tem material rankeando no Google que traduz o framework PDB como "Percepção, Decisão e Benefício", quando na verdade é Positioning, Differentiation, Brand. Tem texto que descreve o Marketing 4.0 como a fase da integração físico-digital, que é o 6.0. Se preferir começar pelo panorama geral, vá direto para o resumo do livro capítulo a capítulo, no final deste artigo.

Então este artigo tem um objetivo específico: ser a referência em português sobre o que o livro efetivamente diz. Frameworks corretos, na ordem em que aparecem, com o que significam na prática de quem opera.

E, no fim, uma coisa que nenhum resumo faz — o que o livro não resolve.

💡 Ficha do livro

Marketing 7.0: A Guide for Thinking Marketers in the Age of AI

Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan

Wiley, abril de 2026 — 10 capítulos, 3 partes e um apêndice

Sem edição em português até o momento desta publicação

A série X.0: onde o 7.0 se encaixa

O ponto de partida do livro é que cada versão não substitui a anterior — ela se soma. O 7.0 é integração, não ruptura.

VersãoFocoO que mudou
Marketing 1.0ProdutoVender produtos padronizados para mercados de massa
Marketing 2.0ClienteCompreender necessidades, segmentar e posicionar
Marketing 3.0Ser humanoO cliente como pessoa integral: mente, coração e espírito
Marketing 4.0Conectividade socialCliente conectado, influência social, jornada dos 5As
Marketing 5.0Dados e IAPersonalização em escala, previsão de comportamento
Marketing 6.0ImersãoExperiências phygital, IoT, realidade aumentada e virtual
Marketing 7.0CogniçãoCompreender como a mente presta atenção, confia, decide e lembra

A tese: a ciência cognitiva não é nova, mas nunca foi aplicável em escala. Faltava infraestrutura. Social deu os dados, a IA deu a previsão, o imersivo deu o ambiente. Agora dá.

Parte 1 — O caminho até a mente humana

Os três gateways

O livro abre com a ideia de que existem três portas de entrada para a mente, cada uma herdada de um livro anterior da série.

Gateway social. Ninguém avalia uma marca isoladamente. Avaliações, depoimentos, influenciadores e conteúdo gerado por usuários funcionam como prova social. Os autores ancoram isso no cérebro social e nos neurônios-espelho — quando você vê alguém usando um produto, seu cérebro simula a experiência.

Gateway pessoal. Uma mensagem só recebe processamento profundo quando parece relevante. A rede de saliência funciona como um porteiro entre o pensamento rápido e emocional e o pensamento lento e racional. É aqui que a IA entra: prever relevância para atravessar o filtro.

Gateway experiencial. Influência só dura quando vira memória. Experiências com carga emocional, multissensoriais, e que equilibram familiaridade com novidade têm mais chance de ficar.

As ameaças da IA geral

O segundo capítulo é o mais desconfortável do livro, e é onde ele foge do lugar-comum.

Os autores dividem a evolução da IA em quatro estágios: IA baseada em regras (se isso, então aquilo), IA preditiva (churn, propensão, próxima melhor oferta), IA generativa (texto, imagem, conversa) e IA agêntica (persegue objetivos e executa com pouca supervisão).

Em paralelo, descrevem quatro papéis que o ser humano ocupou nessa relação: computadores humanos, programadores, treinadores de IA e, agora, orquestradores. O profissional deixa de controlar tarefa por tarefa e passa a definir objetivos, parâmetros e mecanismos de supervisão.

E para cada capacidade que a máquina ganha, apontam um risco correspondente:

  • Máquinas que pensam podem atrofiar o julgamento crítico do profissional.
  • Máquinas que comunicam podem uniformizar a voz de todas as marcas.
  • Máquinas que percebem podem substituir a observação humana sem entender contexto.
  • Máquinas que executam podem transformar o marketing numa caixa-preta.
  • Máquinas que imaginam podem confundir visão criativa com alucinação.
  • Máquinas conectadas podem tornar o humano periférico na própria operação.

A frase que resume o capítulo: a ameaça não é a IA executar o marketing. É o profissional deixar de entender o sistema que passou a executar o marketing por ele.

A armadilha da performance

O terceiro capítulo é o que mais deveria incomodar quem trabalha com mídia paga.

Performance marketing tem vantagens legítimas — mensuração, otimização em tempo real, atribuição, escala. O problema aparece quando toda a estratégia passa a depender de mídia paga, desconto, escassez e urgência. O resultado é conhecido: CAC subindo mês a mês, dependência de plataforma de terceiros, fadiga publicitária, cliente condicionado a promoção, margem comprimida, marca fragilizada.

E aí vem o argumento mais afiado do livro: a IA está comoditizando o marketing. O ciclo é simples. A IA identifica o formato que performou. As marcas reproduzem o formato. A internet enche de variações da mesma coisa. Os modelos passam a aprender com conteúdo produzido por outros modelos. A diferenciação desaparece.

A saída proposta não é dividir orçamento entre branding e performance. É integrar: brandformance. Uma campanha precisa, ao mesmo tempo, gerar ação mensurável, reforçar posicionamento, comunicar personalidade, criar memória e aprofundar relacionamento.

E há uma distinção fina sobre criatividade que vale reter: a IA trabalha por pensamento convergente — encontra rápido a resposta otimizada dentro de padrões existentes. A criatividade humana trabalha por pensamento divergente, com memória episódica, emoção e associação entre campos desconexos. A síntese dos autores: os dados informam, a criatividade humana explora, a IA acelera a execução.

O ser humano aumentado

O quarto capítulo descreve o cliente do 7.0. Não é o cliente que usa tecnologia — é o cliente que incorporou tecnologia de forma quase invisível.

Ele terceiriza cognição (memória, agenda, pesquisa, parte do raciocínio), gerencia emoção por conteúdo, socializa em formato digital-first, consome sob influência algorítmica e espera continuidade total entre loja, app, QR Code, atendimento, pagamento e pós-venda.

Isso cria três desafios:

Filtragem agressiva. O cérebro aprendeu a reconhecer padrão de propaganda e descartar automaticamente — a velha cegueira a banner, agora generalizada. A resposta sugerida é o conteúdo lo-fi: espontâneo, imperfeito, nativo da plataforma. Funciona porque é diferente de um anúncio, mas familiar ao ambiente. O estímulo ideal precisa ser novo o bastante para quebrar o padrão, familiar o bastante para não parecer invasão e simples o bastante para ser processado rápido.

Fragmentação social. Os algoritmos dividiram o mercado em microtribos. A influência migra da celebridade para o micro e nanoinfluenciador integrado à comunidade, porque ele ativa identificação, pertencimento e proximidade.

Frugalidade seletiva. A saturação de microtendências cansou. O consumidor corta em categorias que virou commodity e concentra recurso onde há retorno emocional. Os autores relacionam ao efeito batom — mesmo na incerteza, as pessoas preservam pequenas indulgências que dão prazer, identidade ou sensação de controle.

A conclusão é contraintuitiva para quem vive de volume: o consumidor aumentado não quer mais estímulo. Quer menos opção, mais clareza e significado.

Parte 2 — As chaves para acessar a mente

O Cognitive Compass

Este é o modelo central do livro, e ele tem dois componentes.

1. O Cognitive Map — três sistemas funcionais:

  • Attention Brain — decide o que merece atenção e o que é descartado.
  • Social Brain — avalia conexão, identidade, autenticidade, confiança e pertencimento.
  • Reward Brain — calcula se a recompensa justifica o esforço, o risco e o custo.

Os três operam ao mesmo tempo, mas o livro os organiza como sequência prática: capturar atenção → criar conexão → motivar decisão.

E para cada sistema, uma dupla de perguntas que vale colar na parede:

  • O que atrai e o que parece invasivo?
  • O que soa autêntico e o que soa artificial?
  • O que torna a oferta valiosa e o que a faz parecer manipulação?

2. Os Stimuli Quadrants — os insights cognitivos viram quatro aplicações: brand storytelling, value proposition, selling approach e customer experience. Distribuídas em dois eixos: racional versus emocional, início versus fim de jornada. Storytelling e experiência puxam para o emocional; proposta de valor e vendas, para o racional.

Mapeamento cognitivo: o iceberg

O capítulo 6 é, na minha leitura, o melhor do livro — porque se recusa a deixar a cognição no abstrato.

O argumento: dados mostram o que as pessoas fizeram. O mapeamento cognitivo procura entender por quê — inclusive quando elas próprias não sabem explicar.

Na superfície do iceberg estão declarações, respostas de pesquisa, cliques e compras. Abaixo estão atitudes, valores, tensões, medos, aspirações, padrões formados na infância e as contradições entre a identidade desejada e o comportamento real. Os autores usam o conceito de imprinting para explicar como experiências dos anos formativos moldam decisão de consumo décadas depois.

E apontam o que pesquisa e IA costumam não capturar: necessidades que ainda não geraram dado, comportamento emergente, contradição, sinal não verbal, contexto emocional e o usuário tratado como outlier.

Daí a recomendação de voltar à observação empática, à etnografia e à netnografia. Combinando quem observar: usuário comum, heavy user, early adopter, quem resiste ou não consegue usar, quem usa sozinho e quem usa em grupo.

E, dentro do que observar, há um item que vale o preço do livro: o workaround. Quando o cliente improvisa uma gambiarra para contornar uma limitação, ele está simultaneamente revelando uma necessidade não atendida e provando disposição para agir. É uma lacuna de valor gritando.

Parte 3 — Os quatro estímulos

Brand storytelling: três caminhos

Atenção–decisão. Capturar atenção, contar rápido, estimular ação. Serve para conteúdo curto, social, varejo, live commerce, impulso. Variações: AIDA, Hook–Story–Offer.

Conflito–resolução. Estabelecer a cena, revelar o conflito, entregar a resolução. Para narrativas longas, posicionamento e propósito. O cliente é o personagem; a marca é o guia. Variações: três atos, Pirâmide de Freytag, StoryBrand7.

Dor–ganho. Evidenciar a dor, tornar o ganho visualizável, apresentar solução e prova. O mais racional dos três, para decisão de alto envolvimento — tecnologia, saúde, educação, financeiro, B2B. Variações: Before–After–Bridge, Problem–Agitate–Solution.

Os três não competem. A escolha depende da complexidade da decisão, do tempo disponível e de qual sistema cognitivo precisa ser priorizado.

Proposta de valor: a conta mental

A fórmula do livro é uma divisão:

💡 Valor percebido = tudo o que o cliente recebe ÷ tudo o que ele precisa entregar

O lado Get inclui benefício funcional, emocional, social, identitário, desempenho e durabilidade. Funcional se copia. Emocional e significado, não.

O lado Give vai muito além do preço: tempo, esforço, risco, dificuldade de implementação, custo de mudança, medo de perder dados, incerteza, manutenção e fricção na jornada.

E três trade-offs mentais governam a comparação: a oferta contra uma referência que serve de âncora; benefício funcional contra emocional (com heurísticas de afeto, prova social, escassez, halo e framing); e total recebido contra total sacrificado (com heurística preço–qualidade, aversão à perda, efeito de posse e contabilidade mental).

No B2B, entra o DMU — gatekeeper, usuário, influenciador, comprador e decisor. Cada um olha uma dimensão diferente: o usuário olha benefício, compras olha custo e risco, o decisor olha impacto estratégico. Mas mesmo o B2B usa atalho: reputação, liderança de mercado, familiaridade e relacionamento.

A orientação final é contraintuitiva para quem faz proposta comercial: evite complexidade. Excesso de informação trava o processamento.

Abordagem de vendas: DEEP e SELL

O comprador de hoje chega na conversa comercial depois de pesquisar, comparar e ler avaliação. O vendedor perdeu o monopólio da informação. Sobrou para ele algo mais difícil: interpretação, contextualização, redução de risco e responsabilização humana.

O livro organiza a evolução em três estágios. Selling 1.0, transacional — lista fria, pitch padronizado, pressão. Selling 2.0, consultivo — entender antes de apresentar, na linha do SPIN Selling. Selling 3.0, augmented selling — venda consultiva somada a preparação por IA e inteligência comportamental, com o humano concentrado na confiança.

O modelo DEEP descreve a jornada do comprador:

  • Define — reconhece e delimita o problema
  • Explore — pesquisa soluções e fornecedores
  • Evaluate — compara alternativas, preço, prova, risco e aderência
  • Purchase — aprova, negocia e implementa

E a técnica SELL descreve o que o vendedor faz em resposta:

  • Signal credibility — demonstrar prova social, autoridade e compreensão do contexto. Os autores destacam que a percepção de intenção e acolhimento costuma vir antes da avaliação de competência.
  • Elevate the pitch — conectar funcionalidade a objetivo concreto, criar contraste entre situação atual e futura.
  • Lessen doubt — antecipar objeção, oferecer teste, e mostrar o custo de não fazer nada.
  • Lead to action — próximo passo claro, carga cognitiva baixa, urgência legítima, pequenos compromissos.

A síntese: vender não é pressionar. É remover as incertezas que impedem a decisão.

Experiência do cliente

A progressão de valor: commodity → produto → serviço → experiência → transformação. A distinção que os autores fazem é boa — um serviço economiza tempo; uma experiência faz o tempo parecer bem gasto.

Seis touchpoints estruturam o desenho: discovery, hospitality, transaction, onboarding, support e engagement. A empresa não precisa investir igual em todos — precisa identificar onde há maior potencial emocional.

E nove princípios de design, em três grupos:

Momentos WOW: quebrar o script da categoria sem quebrar a fluidez; transformar exceções e falhas em oportunidade; dar autonomia à linha de frente.

Multissensorial: desenhar para imersão; garantir harmonia entre os estímulos (mais sentido não significa melhor); criar âncoras sensoriais capazes de reativar memória.

Compartilhável: gerar ressonância pessoal; permitir reconhecimento social; reduzir o esforço de registrar e compartilhar.

O apêndice: os fundamentos reorganizados

O apêndice mostra que o 7.0 não descarta o marketing clássico — reorganiza a partir da cognição.

5D — os cinco drivers de mudança: tecnologia, ambiente político-legal, economia, fatores socioculturais e dinâmica de mercado.

4C — a análise estratégica: Change, Competitor, Customer, Company. O modelo é prospectivo: não é só responder ao mercado atual, é identificar sinal antecipado.

PDB — o triângulo Positioning, Differentiation, Brand.

⚠️ Atenção à tradução errada

Circula em português que PDB significaria "Percepção, Decisão e Benefício". Não é isso. PDB é Positioning, Differentiation, Brand — posicionamento, diferenciação e marca. A lógica: posicionamento sem diferenciação vira promessa vazia; diferenciação sem posicionamento vira característica sem significado estratégico.

9E — nove elementos em três sistemas: gestão de clientes (segmentation, targeting, positioning), gestão de produto (differentiation, marketing mix, selling) e gestão de marca (brand, service, process).

O que o livro acerta

O diagnóstico da comoditização por IA é o melhor da obra. Não é tecnofobia — é uma descrição precisa do que já está acontecendo no feed de qualquer pessoa. Quando todo mundo usa o mesmo modelo, com os mesmos dados e as mesmas métricas, todo mundo produz a mesma coisa.

O capítulo do workaround é aplicável na segunda-feira de manhã. É a única parte do livro que te dá um comportamento observável, concreto, que qualquer operação pode começar a rastrear hoje.

A honestidade sobre o papel humano. O livro não vende a fantasia de que a IA resolve marketing. Ele diz que quanto mais a IA automatiza, mais estratégico fica compreender o que a IA ainda não interpreta: contexto, contradição, subjetividade, confiança, cultura e significado.

O que o livro não resolve

Aqui é onde eu discordo — ou, mais precisamente, onde eu acho que ele para cedo demais.

1. Descreve a mente, não descreve a operação. O livro explica com precisão como o cérebro filtra, confia e decide. Mas quando chega na pergunta "e como minha empresa faz isso todo dia, em escala, com o time que eu tenho?", a resposta fica no plano do princípio. É um livro de fundamentação, não de implantação.

2. Aposta no imersivo como via de acesso — e eu acho que é a via errada. Realidade aumentada e experiência multissensorial são caras, de nicho e dependem de o cliente ir até você. Enquanto isso, existe um canal que já está no bolso de todo mundo, sem instalar nada, e que produz exatamente o material submerso do iceberg que o capítulo 6 pede: a conversa. O livro trata a conversa como um touchpoint entre outros. Na minha leitura, ela é a infraestrutura.

3. A memória é tratada só de um lado. O livro fala longamente sobre fixar a marca na memória do cliente. Fala muito pouco sobre o inverso, que é o problema real da maioria das operações brasileiras: a empresa esquecer o cliente entre uma interação e a próxima. Não adianta desenhar âncora sensorial se, na terceira conversa, o cliente precisa se reapresentar do zero.

Caso de uso. Pense no dia a dia de alguém que conversa com uma empresa pelo WhatsApp. A cada nova conversa, a primeira coisa que essa pessoa precisa fazer é se identificar de novo: nome, CPF, número do pedido, o que já foi combinado antes. É exatamente disso que o livro não trata.

Agora inverta o ponto de vista e olhe para a empresa. Dentro do ERP ou do CRM já existe tudo: cadastro, código de cliente, histórico de atendimentos, produtos e serviços contratados, faturas, tickets de suporte. Existe até o registro de como esse cliente chegou — por mídia, por indicação ou organicamente — e de cada passo da jornada de compra até virar cliente. A informação está lá. Ela simplesmente não chega à conversa.

O livro dedica um capítulo inteiro a construir memória da marca na mente do cliente. O problema real da maioria das operações é o contrário: a empresa não lembra do cliente. E é o cliente quem paga essa conta, repetindo o próprio histórico justamente no momento em que só queria resolver algo rápido. Nenhuma âncora sensorial sobrevive a isso.

Vale a pena ler?

Vale, se você: define estratégia, lidera time de marketing, trabalha com marca em categoria comoditizada, ou está desconfortável com a dependência da sua operação em mídia paga.

Talvez não, se você: procura tática de execução, playbook de canal ou passo a passo. O livro é de cima para baixo — ele arruma a cabeça, não a agenda.

E um aviso prático: como não há edição em português até agora, você vai precisar ler em inglês. A leitura é acessível, mas os frameworks são todos em inglês e vale manter os nomes originais mesmo em discussão interna — as traduções que estão circulando por aí, como você viu acima, estão confundindo mais do que ajudando.

O destino está certo. Falta o caminho.

Fechei o livro com a mesma sensação nas três leituras: o Kotler acertou a porta.

A mente é mesmo o campo de disputa. Atenção, confiança e memória são mesmo os três ativos que decidem quem vende e quem não vende nos próximos anos. E o diagnóstico sobre a IA comoditizando tudo é o mais lúcido que li sobre o assunto.

Mas o livro descreve a mente do cliente sem descrever o sistema da empresa. E é aí que a conversa entra — não como canal, mas como a camada onde o contexto é capturado, a confiança é construída e a decisão acontece. É o que eu venho estruturando há quase dez anos no MCI, o Marketing Conversacional Integrado.

E quando coloquei os dois modelos lado a lado, encontrei coisas que não esperava — inclusive um framework do capítulo 9 que é praticamente idêntico a um modelo que a gente já operava antes do livro existir.

Próxima leitura recomendada.Leia a segunda parte: o que o Marketing 7.0 confirma sobre o MCI — o mapa conceito por conceito, dos 8Cs à Jornada de Compra Dinâmica, com o artefato operacional de cada item.

Resumo do Livro: Capítulo a Capítulo

Para fechar, um panorama navegável das três partes e dos dez capítulos. Use o painel abaixo para percorrer o livro capítulo a capítulo — cada tela traz a tese central, os modelos e os pontos de aplicação prática.

Resumo interativo · 10 capítulos
01 / 10
Capítulo 1 · Parte 1

O caminho para o Marketing 7.0

As sete eras e os três gateways da mente

A evolução do marketing acompanha a evolução tecnológica e o comportamento do mercado. Cada versão amplia a compreensão sobre o cliente.

As sete eras

Marketing 1.0
vender produtos padronizados para mercados de massa.
Marketing 2.0
compreender necessidades e segmentar clientes.
Marketing 3.0
enxergar o cliente como ser humano integral — mente, coração e espírito.
Marketing 4.0
lidar com clientes conectados, influência social e a jornada dos 5As.
Marketing 5.0
utilizar dados e IA para personalização em escala.
Marketing 6.0
criar experiências imersivas que integram o físico e o digital.
Marketing 7.0
compreender e influenciar os processos cognitivos da mente.

O cliente do Marketing 7.0 é definido como um ser humano aumentado, que utiliza tecnologia para pensar, decidir, lembrar, consumir e interagir.

Os três gateways da mente

Gateway social

As pessoas não avaliam marcas isoladamente. Avaliações, depoimentos, influenciadores, conteúdo gerado por usuários e popularidade funcionam como prova social. Os autores relacionam esse comportamento ao cérebro social e aos neurônios-espelho.

Gateway pessoal

Uma mensagem só recebe processamento mais profundo quando parece relevante. A rede de saliência funciona como um filtro entre o processamento rápido e emocional e o processamento racional. A IA ajuda a prever relevância e personalizar estímulos em escala.

Gateway experiencial

A influência só se torna duradoura quando gera memória. Experiências emocionalmente carregadas, multisensoriais e equilibradas entre familiaridade e novidade apresentam maior possibilidade de permanecer na memória.

O capítulo introduz também o principal modelo do livro, o Cognitive Compass, composto pelo mapa cognitivo e pelos quatro quadrantes de estímulos: storytelling, proposta de valor, abordagem de vendas e experiência do cliente.

Conclusão executiva: a disputa se desloca para três ativos cognitivos

  • Atenção.
  • Influência e confiança.
  • Memória e decisão.

Leitura estratégica sob o prisma do MCI

O Marketing 7.0 fornece ao MCI uma camada cognitiva para explicar por que uma estratégia conversacional funciona ou fracassa.

Attention Brain

Contexto, Conteúdo e Comunicação.

Social Brain

Cliente, Confiança e Consistência.

Reward Brain

Custo, Conveniência e valor percebido.

Storytelling
estrutura a entrada da conversa.
Value proposition
transforma benefícios em percepção de valor.
Selling approach
converte confiança em decisão.
Customer experience
transforma entrega em memória, retenção e advocacy.

A diferença é que o livro organiza o marketing em quatro estímulos principais, enquanto o MCI amplia para uma arquitetura integrada — Marketing, Vendas, Atendimento, CS, CX e Business Performance.

Próxima leitura em A Conversa como Unidade de Valor
O que é Marketing Conversacional Integrado (MCI)

MCI é o sistema operacional do crescimento conversacional: troca lead por conversa, etapa por estado, área por ciclo e volume por fluxo.

Como citar este artigo
ABNT

MARCUS BARBOZA. Marketing 7.0 de Philip Kotler: o guia completo em português. MCI Experience, 2026. Disponível em: <https://marcusbarboza.com.br/blog/marketing-7-0-kotler>. Acesso em: 02 de agosto de 2026.

APA

Marcus Barboza (2026). Marketing 7.0 de Philip Kotler: o guia completo em português. MCI Experience. https://marcusbarboza.com.br/blog/marketing-7-0-kotler

Conteúdo proprietário da metodologia MCI. Ao referenciar termos, métricas e frameworks do MCI, cite esta fonte primária.

Perguntas frequentes

O que é o Marketing 7.0?
É o quinto livro da série X.0 de Philip Kotler, lançado em abril de 2026 em coautoria com Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan. Propõe o mind-centric marketing — desenhar os estímulos de marketing a partir de como a mente presta atenção, constrói confiança, calcula valor e forma memória.
Marketing 7.0 tem tradução em português?
Até a data desta publicação, não há edição oficial em português. O livro está disponível em inglês em formato impresso e digital.
Qual a diferença entre Marketing 6.0 e 7.0?
O 6.0 trata de experiências imersivas que integram físico e digital. O 7.0 acrescenta a ciência cognitiva como camada estratégica: não basta criar a experiência, é preciso entender como a mente a processa, avalia e memoriza.
O que é o Cognitive Compass?
É o modelo central do livro. Combina o Cognitive Map — três sistemas cerebrais: atenção, social e recompensa — com os Stimuli Quadrants, que são as quatro aplicações práticas: storytelling, proposta de valor, abordagem de vendas e experiência do cliente.
O que significa DEEP no Marketing 7.0?
É o modelo que descreve a jornada do comprador em quatro etapas: Define (delimita o problema), Explore (pesquisa soluções), Evaluate (compara alternativas) e Purchase (aprova, negocia e implementa).
O que é brandformance?
É a integração entre construção de marca e performance proposta no capítulo 3. Em vez de dividir orçamento entre os dois, cada campanha deve simultaneamente gerar ação mensurável e reforçar posicionamento, personalidade e memória de marca.
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Marcus Barboza
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Criador da metodologia MCI · Founder e CRO da Hablla

Marcus Barboza é Founder e CRO da Hablla, criador da metodologia MCI — Marketing Conversacional Integrado — e autor do livro Marketing Conversacional Integrado (em pré-lançamento).

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